Autor: rita ralha

  • quase-Gripe não-A

    Perdida num mar de suave branco branquinho,
    ponho creme na ponta do nariz
    com doçura e carinho
    e parto para uma noite de sonhos febris.
  • Momento alto do meu dia

    Escolher as cores que vou utilizar numa tabela de Excel.

    Fofo ou deprimente?

  • A ciência do Como está?

    Queridos amigos, conhecidos e sinistros alheios que googlam o meu nome completo na net, hoje, trago-vos um pequeno ensinamento. Na verdade, trata-se mais de uma luz sobre o inferno de obrigações sociais no qual qualquer pessoa semi-interessante e responsável se vê diariamente envolvida. Aqui vai:
    A questão como está? tem uma e uma só resposta.
    Ninguém quer saber que estão cansados, porque dormiram pouco na noite anterior e que, por causa disso, acordaram tarde, perderam o comboio, tiveram que vir de metro e, consequentemente, andaram uma data de metros à chuva. Ninguém quer saber se vos dói a anca ou o braço, nem se os tratamentos que andam a fazer e vos custam um dinheirão não andam a dar resultado. Ninguém quer saber se não gostam do vosso trabalho, ao ponto de sentirem que vão desmaiar ou ficar cegos devido ao aborrecimento mortal que vos causa estar a preencher células de excel que depois passaram para um powerpoint, para o qual o vosso chefe olhou durante apenas um minuto e meio, apesar de vocês terem demorado três a fazer aquilo.
    Ninguém. Quer. Saber.
    A questão como está? tem uma e uma só resposta. Bem obrigada.
  • Evolution

    Sexta-feira: tinha os braços lisinhos, de um branco leitoso perfeito.
    Sábado: joguei volei.
    Segunda-feira: tenho os braços de uma jovem drogada de 30 anos que já quase não encontra veias boas para perfurar.
  • Haverá coisa mais frustrante que

    Passar dois minutos a rodar o rolo de papel higiénico industrial à procura da pontinha?
  • RIP

    Este post tem banda sonora. Por favor, clique play.

    Nascidos americanos,
    de cor branquinha e propagadores de som perfeito.
    Amareleceram com o passar dos anos,
    mas nem assim lhes via algum defeito.
    Corajosos, emaranhados em objectos desconhecidos,
    aventuraram-se por malas e países diversos,
    sempre ondulados e torcidos
    e em músicas sonhadoras imersos.
    you were great companions
    rest in peace
  • A pergunta mais retórica da história da humanidade

    Então, o fim de semana foi bom?

    Não, olha, foi um desespero. Tive de dormir as manhãs todas, tomar o pequeno-almoço à hora do almoço, passar as tardes a fazer compras e ver televisão, jantar fora e relaxar com os amigos. Um terror absoluto. Mal podia esperar para voltar ao trabalho. Caramba, espero que isto de ter os feriados a coincidir com dias úteis não se repita.
  • #1

    Havia uma pessoa no trabalho de Rita – chamemos-lhe John Smith – que, quando chegava de manhã, trazia ainda o retainer* posto e ficava alguns momentos com ele na boca a falar com as pessoas achxxim.

    Ai, exe prohgrahma eu não poxcho mexer. Tenx de pedgir augtogixação ao teu schefe, dizia John Smith a Rita, enquanto esta, sem ouvir palavra, observava fixamente a formação de pequenas bolhas de saliva, que surgiam no minúsculo espaço que separava os dentes de John Smith do contentor de plástico transparente, que rapidamente rebentavam e davam lugar a novas bolhas.
    As mãos de Rita tremiam e na sua cabeça ecoavam repetidamente as palavras kill me now! KILL ME NOW!
    *o aparelhozinho dos dentes que se coloca durante a noite
  • Lisboa, 30 de Setembro de 2009

    Querido Diário,

    Ainda são só dez da manhã e já me dói o rabo de estar sentada na cadeira.

    Dolorosamente tua,

    rita

  • I wonder…

    Será que me despedem se atirar com um telemóvel à cabeça da pessoa à minha frente, que trauteia qualquer coisa género Anastacia ao ritmo do som que sai, num volume bastante elevado, dos seus headphones, gentilmente colocados sobre a orelha, para nao prejudicar o sensível tímpano? Será??
    Será que faz parte do contrato? O segundo contraente tem permissão para agredir física ou verbalmente outro colaborador da empresa num número máximo de seis vezes por ano…
    Acho que vou arriscar.