Autor: rita ralha

  • Será sinal de que ainda sou millenial?

    Dou por mim a carregar duas vezes na tecla do espaço no portátil para inserir um ponto final.

  • Toda a verdade: os Horrendos

    Apresento-vos os Horrendos. Os irmãos bastardos dos Minutos, sem jeito para os estudos, que passavam a vida a ligar aos bons alunos para tirar dúvidas em vésperas de teste. Os Horrendos representam a unidade temporal de espera do sistema circulatório de autocarros da cidade de Lisboa e são exibidos publicamente em painéis eletrónicos amarelos colocados a 2 metros do chão com ar moderno e útil.

    Os Horrendos não obedecem a uma escala linear. Um horrendo pode equivaler a qualquer valor entre 1 e 5 minutos, tendo já sido identificados alguns padrões comportamentais que nos ajudam a compreender melhor a sua variação:

    1) Padrão carro velho, i.e. só andam quando lhes apetece. Pode estar um sol radioso e um número mínimo de carros a circular nas principais ruas da cidade e ainda assim os Horrendos mantêm-se fixos sem qualquer razão aparente. Caso prático: visionamos um maravilhoso “3” no painel amarelo e sorrimos para ninguém com um orgulho parvo na cara, oh yeah cheguei mesmo a tempo!, enquanto nos questionamos porque raio não estão os restantes seres humanos da paragem a sorrir da mesma forma, apenas para rapidamente nos apercebermos de que o 3 não evolui há 4 minutos. Os cantos da boca descaem lentamente e a sensação porquê? porquê?! instala-se, acompanhada de um desejo intenso de consumir anti-depressivos.

    2) Padrão Keynesiano. Os Horrendos são defensores acérrimos do aumento dos gastos públicos como estímulo à economia nacional e criação de emprego e para que todos partilhem desta visão, estendem os seus valores para níveis exorbitantes. Caso prático: com o arranque das obras para viver melhor Lisboa!, para que todos observem com atenção e minúcia o investimento público – os polícias sinaleiros que gesticulam perante os olhares esbugalhados dos condutores que se indagam para que servem então os semáforos, as empresas nacionais de construção civil que garantem estradas lisinhas e sem declives e os senhores que em gabinetes desenham avenidas cheias de árvores e espaço livre para peões – os Horrendos escalam para níveis gigantescos, atingindo números como 38 ou 43, que quando visionados com elevadas expectativas, têm a capacidade de fazer abrandar de forma preocupante os corações dos mais ansiosos. 

    3) Padrão House, i.e. everybody lies. Os Horrendos mentem. Com frequência agem como filhos da mãe e mostram-se em trajes pequenos e quase inexistentes, evaporando-se meros momentos depois sem mais nem porquê, sem que qualquer autocarro se apresente à nossa frente. Caso prático: Depois de uma consulta rápida no smartphone dos Horrendos que faltam para chegar o nosso autocarro, seguida de uma corrida em modo é o último km da prova, ‘bora acelerar que nem loucos para a malta da meta achar que fizemos o percurso inteiro a galope, chega-se à paragem e o painel amarelo exibe o nome do destino final sem apresentar qualquer horrendo à frente – é o sonho! chegámos na hora H! está ali ao virar da esquina! vai aparecer a qualquer momento! Só que não. O nome do destino eclipsa-se do painel e o coração aperta-se em lamento antecipado dos 15m de série que não vamos poder ver no sofá.

    Agora que sabem toda a verdade por detrás do pesadelo que é esperar pelo autocarro, sejam espertos, andem de metro. 

  • O meu maior self high-five de sempre

    Há piadas que se idealizam fazer, mas cujo timing parece nunca surgir. Graças com potencial de curar leves doenças crónicas, tal a sua capacidade de gerar gargalhadas e admiração.

    Ontem, tive a majestosa oportunidade de fazer uma piada destas.

    O meu chefe perguntou: de que equipa é a Miranda?

    Eu, sentindo de imediato o coração a pulsar na garganta, arregalei os olhos e, controlando o riso a custo extremo (eu sou sempre aquela pessoa que nunca aguenta as partidas e piadas sem se desmanchar a rir antes da punchline), disse com possivelmente um dos maiores níveis de orgulho da minha vida: é da equipa da Carrie!

    E pronto, isto sou eu no mais puro estado.

  • Os pombos não usam Feedly

    Acabei de ver um pombo a debicar uma carcaça e outro uma barrita kellogs special k.  

    Alguém não recebeu o memo sobre carbs…

  • Eu e as minhas felicidades ridículas

    Nunca mais uso canetas.

    Também tenho uma caixa nova de carimbos.

  • Chegou o verão, olé!

    Tenho as undercheeks a transpirar só porque estou de calças vestidas.  

    Felizmente, amanhã já volta a estar mau tempo, não fosse alguém ousar tirar partido deste calor e emanar felicidade e alegria. 

  • Salamaleques no Porto? Jamais

    Fui trabalhar ao Porto durante um dia e o highlight não foi ter andado de metro, nem ter aprendido que pastéis de bacalhau são bolinhos de bacalhau, mas sim o facto de a senhora do restaurante onde fui almoçar me ter dito aos quatro segundos de jogo, enquanto movimentava mesas e cadeiras: Olha o cu menina.

    Nunca um ba dum tss fez tanta falta.

  • Às vezes penso que sou irrecrutável

    Haverá algo pior que sair de uma entrevista e reparar instantes depois que tinha uma nódoa na camisa? Beeeem visível. Assim daquelas que grita “comi à pressa para vir para aqui a horas e agora só estou a conseguir provar que na realidade sou um porco”.

    Outras vezes penso que sou deus. Enfim, todos temos as nossas inseguranças.

  • A minha vida tem tudo para ser perfeita. Só falta deixar de trabalhar.

    De phones nos ouvidos, sinto a cabeça a vibrar ao ritmo tranquilo de Playgroung Love e absorvo o aroma de um triângulozinho de Toblerone que alguém me ofereceu e que eu educadamente reservei para mais tarde apreciar. Que doce a minha vida, penso de cara sorridente, enquanto olho pela janela.

    Rapidamente a paz é interrompida por um ser volumoso que passa por detrás da minha cadeira, pontapeando-a graciosamente. Volto a baixar a cabeça para o ppt dantesco de tons cinzentos e letras mínimas que chama por mim – todos os dias.

  • Pensava eu que ser adulta = fazer montes de coisas fixes

    Sexta-feira. Por algum milagre antes da meia-noite estava pronta para ir para a cama (eu sei, eu sei…). Penso, com o peito cheio de orgulho e esperança, amanhã não tenho nada para fazer de manhã! Posso acordar absolutamente às horas que quiser. Tardíssimo!  

    Sábado, 08h30, o Sol, as galinhas e eu pestanejamos os nossos olhos vivaços há mais de meia hora, conferenciando uns com os outros, será que se aguentarmos na cama até às 9h já conta como tarde?!