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  • Rita 2.0

    Tenho a comunicar ao mundo que, desde 25 de dezembro, pertenço a uma elite de qualidade e distinção supremas: a secção da raça humana que possui smartwatches.

    Agora, sou algo extremamente próximo do tipo mau do Exterminador Implacável 2 (mas ainda só me liquidifico na zona das pernas depois de corridas muito longas): de cara feroz, sempre alerta e com o máximo de informação possível. 
    Assim, alerto-vos para a eventualidade de em encontros futuros a minha atenção se dividir não igualmente entre 3 ecrãs: o do smartphone, o do smartwatch e a vossa cara. 
    Minto, minto. Eu nem sou de estar à conversa com os olhos postos no telemóvel, mas seguramente tornar-me-hei num sucesso das noites de lisboa, quando chamar um uber estilo Kitt. 
  • Dia 1 de trabalho, 2016

    Porque ter de ir trabalhar sob um sol inexistente e chuviscos constantes, depois de 11 dias de férias de glorioso fare niente não era suficientemente doloroso, deus decidiu que eu iria padecer do esquecimento agudo (que habitualmente me atinge sempre que volto de férias): deixar o portátil do trabalho em casa e aperceber-me de tal facto apenas nos segundos anteriores à entrada das carruagens do metro no cais.

    Compreensivelmente, vociferei palavrões diversos, enquanto fazia o caminho de volta para casa e o caminho de volta para o metro de portátil a pesar-me no ombro e pele húmida sob os casacos e casacões que o presente tempo negro exige.

    Bom ano? Ha!

  • Querido 2015

    Chegaste como todos os outros anos de forma inevitável perante o meu nariz semi torcido de falta de interesse, mas rapidamente te revelaste um Sr. Ano cheio de aventuras e surpresas.

    Fizeste-me correr 500km – a mim, eternal hater de todo o exercício físico superior a uma caminhada no centro comercial – e 21 deles foram de um só fôlego. Continuaste a ver-me capaz de fazer 10 flexões, ainda que as últimas 4 sejam em modo ‘acabei de dar sangue e não comi as bolachas que a enfermeira deu’.

    Levaste-me ao meu destino de sonho desde que me lembro de ser capaz de mudar o canal de tv sozinha e permitiste-me vislumbrar bem de perto (aquele eu acredito piamente que era) o Francis Ford Coppola.

    Trouxeste mais um bebé ao mundo, contribuindo para a minha habituação educativa a pequenos seres incapazes de praticar atividades, mas mestres em absorver toda a atenção de uma sala.

    Estiveste comigo na sempre aventura que é renovar o cartão do cidadão sem poder estar de óculos no momento em que tiro a foto, pestanejando cegamente para a mancha cinzenta que imagino ser a câmara, e viste-me sair de lá com o sorriso orgulhoso de quem acabou de tirar um retrato apenas medianamente presidiário.

    E, naturalmente, lembraste-me de que por mais franjas que pense em fazer, nunca alguma chegará ao nível dos melhores cabeludos do mundo:

    Estiveste muito bem, 2015 (9 em 10, se estivessemos no dear cinema).
    2016, porta-te e tráz-me os meus 30 recheados e bem embrulhados que eu adoro abrir presentes. 
  • Natal? Not yet.

    Acabei de viver um momento de histeria totalmente infundamentada, porque achei que tinha ganho um carro da fatura da sorte. Abri o email – eles nunca me tinham enviado um email! Por que outra razão me enviariam um mail se não para me dizer Querida Rita, como contribuinte fidelíssima e perfeita que és, presenteamos-te com o veículo X para que possas desperdiçar o teu tempo no trânsito das ruas de Lisboa, enquanto gritas obscenidades começadas por C a todos os que circulam a menos de 10m de ti – enquanto as veias das minhas têmporas latejavam ferozmente, mas era só blá blá… vamos fazer mais um sorteio e blá blá blá.

    Alguém conhece alguém a quem tenha saído um carro?

    Será isto o maior engodo da história (logo a seguir à conversa que o Clinton teve com o mundo em que jurou que não tinha tido nada com a Monica)?

  • Os piores emails de Natal

    Aqueles que arrancam com um “Ana Rita”.

    Portei-me assim tão mal para me tratarem pelo meu nome clássico de ralhete? (pun intended)

  • Há 10 anos a encher papel cor-de-rosa

    10 anos, god damn it! Aposto que nunca se imaginaram a viver este momento! (provavelmente porque já não lêem o blog há 7 anos)

    Em toda a minha vida, poucas coisas me trouxeram maior satisfação que escrever nesta doce página cor-de-rosa. E o melhor de tudo é saber que tenho 10 anos de vida aqui registados…

    • 10 anos de aventuras (vá, acontecimentos): + +
    • 10 anos de dores intensas: + +
    • 10 anos de lutas contra deus: + +
    • 10 anos a viver tragédias gregas: + + +
    • 10 anos a tentar escrever poesia: + +
    • 10 anos a lançar teorias: + + + + 

    e que sim, serei uma criança para todo o sempre.

    Eeeeee que sim, prometo continuar a escrever apenas quando tiver algo para dizer e somente quando me apetecer (sim, estou a citar-me – i’m that cool).

    Conto convosco para mais 10! (ou até me fartar).

    Superiormente vossa e com amor moderado,
    rita(h)

  • A segunda coisa mais irracional do mundo

    Dar um panfleto a uma pessoa que está a correr na rua. Hmm, ela vai passar por mim aceleradamente com cara escarlate pulsante e roupa de ginástica… Tome lá um papelito que pode aborrecer-se no caminho e assim tem o que ler. 
    Precedida apenas pela coisa mais irracional do mundo: aceitar um panfleto enquanto se está a correr. Isso é para mim? Mas eu estou a correr! Oh mas coitadinha ela parece mesmo estar a ajeitar-se para me dar aquilo no nanosegundo que eu vou demorar a passar por ela. Ah damnit, dá cá isso.

    Como é óbvio não consegui sequer focar o olhar para ler as letras coloridas do papel, dada a torrente de chuva transpiral que corria pela minha cara, mas pelo menos tive a oportunidade de viver um momento Michael Jordan e atirar o papel amachucado certeiramente para um caixote do lixo. (Minto, não foi nada sexy. Tive de abrandar imenso, e levantar a tampa do caixote). 
  • Slide

    Tenho uns sapatos novos de sola extremamente lisa. Sublinho e engordo o “extremamente”, pois esta palavra no seu estado corriqueiro não serve para explicar sequer metade da maciez que está presente na sola destes sapatos.

    Quando calço estes sapatos, deslizo na calçada pintalgada de folhas ensopadas e poças de água da chuva, como se em cima de skis estivesse e galgasse uma neve brilhante e fofinha, rodeada de seres portugueses que preenchem as montanhas de Espanha com as suas obsessões de vá lá, ainda conseguimos fazer mais uma antes das 5.

    Patino como quando tinha 15 anos e, durante as férias de verão,  me arrastava nos ringues de gelo ingleses de mão colada ao corrimão e rabo molhado, percorrendo metros em velocidades ora quase nulas, ora involuntariamente alucinantes.

    Acelero que nem uma criança com ténis daqueles que trazem rodinhas secretas a fazer círculos apertados em torno da mãe, que se desloca a 2km/hora de mãos agarradas a seis sacos do Continente.

    Correção: Tinha, deslizava, patinava e acelerava. Porque deslizei, patinei e acelerei tanto que caí duas vezes em 300m. 3 minutos depois estava sentada descalça na cadeirinha do sapateiro, enquanto ele sonoramente eutanasiava as solas escorregadias e colocava umas ásperas e SEGURAS.

  • A aleatoriedade dos meus sonhos claramente justifica as minhas ocasionais atitudes de estúpida

    Hoje de manhã sonhei que estava num restaurante quando, de súbito, reparei que na mesa ao lado estava sentado a jantar o Clint Eastwood. Fiquei histérica (sendo o meu histerismo algo previsivelmente comedido: os meus membros congelam e as minhas costas ficam subtilmente escorregadias, mas a minha cara permanece no seu estado sério-enjoado do costume). Pensei no que lhe poderia dizer. Não era pessoa para lançar um mortalmente aborrecido adoro os seus filmes!, por isso conformei-me com uma opção honesta e disse-lhe não fui ver o Million Dollar Baby ao cinema, mas mais tarde, com alguma relutância, vi-o em casa e chorei como uma madalena de 3 anos que acabou de deixar cair o gelado ao chão e de levar um pontapé na canela do irmão mais novo. Ele sorriu e deixou-me tirar uma foto com ele, em que eu sorria descontroladamente de testa e queixo luzidios.

    Momentos depois estava a sonhar que tinha fungos em forma de pequenos morangos que me nasciam por todo o corpo. Assim que acordei, fui pesquisar “morangos fungos” no telemóvel (graças a deus só apareciam morangos com bolorzinho, tudo alheio ao corpo humano). Só me recordei desta parte hoje à tarde quando pesquisava qualquer outra coisa. Brrrggg.

  • Como viver um momento de felicidade absolutamente perfeita

    1. Desenvolver um perfil minucioso, metódico e extremamente planeador

    2. Esperar
    3. Não se lembrar pela primeira vez em 29 anos de que a hora atrasa (sim, aos 3 meses eu já berrava do berço feliz por ter mais 60m para contemplar o branco do tecto) 
    4. Acordar e experenciar delírio absoluto 
    (dura cerca de minuto e meio, mas vale a pena)