Sou uma pessoa de certezas. Mas saberia eu quem seria aos 40 anos de idade? Certamente que não.
Sei eu quem sou hoje aos 40?
Sei que ainda me sinto como quando era adolescente — a eterna auto-perceção de que sou super adulta, mas que todos me vêm como uma criança.
Sei que ainda tenho vários sonhos por realizar — aparentemente já não digo muitos, por isso já realizei alguns. E sei também que alguns nunca vão acontecer (serei mesmo adulta, afinal?). E às vezes choro por isso, talvez não pela certeza, mas antes pelo medo da incerteza.
Sei que ligo mais a algumas pequenas coisas e relativizo mais as grandes. As animações do Snoopy no Apple Watch deixam-me absurdamente feliz. Tento memorizar todos os detalhes preciosos da cara do meu cão, como o seu dentinho de baixo que por vezes na sua expressão séria fica de fora, só ele mesmo solitário, todos os outros escondidos por detrás dos lábios, para que perdurem para sempre em mim. Continuo a sentir o ocasional pânico por um dia ir deixar de cá estar, mas tento lembrar-me que vivemos todos os dias e só morremos uma vez.
Aprendi que fico triste quando os dias estão cinzentos. Aprendi que não tenho de dar o sobreaviso nas entrevistas de emprego sobre aparentar ser tímida ao início, porque há quem me queira contratar independentemente da minha timidez. Aprendi que não, não sou hiper-sensível e que os meus sentimentos são de uma dimensão perfeitamente normal. (Escrevi estas duas últimas frases de peito bem inchado.)
Descobri o que é amar com certeza e que isso significa estar com a minha pessoa e sentir tranquilidade por querer estar só ali naquele momento sem pressa de passar ao momento seguinte.
Continuo a não gostar de gente mole e a não ter provado molotov, mas já sei fazer arroz (basmati).

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